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28 de julho de 2010

Auto-entrega, ou um mero desabafo...

Por vezes deparo-me com algumas dificuldades relativas a coisas mundanas, mas depois de as analisar, reparo que são mesmo isso, futilidades.Sou uma pessoa tão feliz e mesmo priveligiada, pois padeço de boa saúde, e tenho o suficiente para viver bem. Não me privo de fazer aquilo que gosto.
Sinto que há fases mais delicadas na nossa vida, mas são esses obstáculos e pedras no caminho que nos fazem evoluir.
Aprendi a ser feliz, pois nesta vida, que se saiba a única que nós temos, não há tempo a perder.
Prefiro arrepender-me por ter feito, do que não o ter, e permanecer no eterno "e se?..."
A vida ensinou-me a ser plena em tudo que faço, por isso vou continuar a acreditar na minha capacidade de realizar os meus sonhos.
Sinto um estado de gratidão que nunca antes vivênciei, confesso que na minha vida pré-Yôga era mesmo uma pessoa sisuda, insatisfeita e triste.
Agora vivo o dia-a-dia, com a consciência de que ainda não consegui chegar aonde quero, mas com o discernimento de perceber que cada coisa tem o seu tempo, e que a natureza encarrega-se de premiar aqueles que se esforçam e que não desistem.
Auto-entrega, o preceito ético que me aflora neste instante, pois tudo passa...
Olho para a frente, aprendendo com o passado, mas sem me prender a ele, e sem pressa.
Obrigada aos que me apoiam de perto, e a esse anjo gregário que me mantém na direcção certa.

29 de abril de 2010

O Presente sem Passado nem Futuro - Fernando Pessoa


Vivo sempre no presente. O futuro, não o conheço. O passado, já o não tenho. Pesa-me um como a possibilidade de tudo, o outro como a realidade de nada. Não tenho esperanças nem saudades. Conhecendo o que tem sido a minha vida até hoje - tantas vezes e em tanto o contrário do que eu a desejara -, que posso presumir da minha vida de amanhã senão que será o que não presumo, o que não quero, o que me acontece de fora, até através da minha vontade? Nem tenho nada no meu passado que relembre com o desejo inútil de o repetir. Nunca fui senão um vestígio e um simulacro de mim.
O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto.

Fernando Pessoa, in 'Livro do Desassossego'